O que está acontecendo

A popularização das ferramentas de IA generativa criou uma enxurrada de posts, artigos, imagens e vídeos parecidos entre si. O fenômeno ganhou até nome: "AI slop", o excesso de conteúdo gerado por IA de baixa qualidade e pouco esforço.

Uma pesquisa do Gartner divulgada em setembro de 2026, feita com 1.006 consumidores dos Estados Unidos, mostra o impacto disso: 65% acreditam que as marcas estão produzindo conteúdo de IA demais, 57% dizem que esse conteúdo os deixou menos confiantes nas mensagens das marcas e 35% passaram a confiar menos em influenciadores na hora de comprar.

O Gartner também prevê que, até 2027, as marcas vão destinar metade da verba de marketing de influência a iniciativas de autenticidade, como verificação de identidade e comprovação da origem do conteúdo.

O público quer gente de verdade

A Sprout Social chegou à mesma conclusão: em sua pesquisa com usuários de redes sociais, conteúdo feito por pessoas aparece como a prioridade número 1 que o público espera das marcas em 2026. A empresa também aponta que metade da Geração Z bloqueia ou deixa de seguir perfis que publicam conteúdo gerado por IA.

A lógica é simples. Quando qualquer um consegue gerar um texto "correto" em segundos, o texto correto deixa de ser diferencial. O que se destaca é o que não dá para copiar: a experiência de quem fez, a opinião de quem entende, a foto real da equipe, o bastidor, o caso de cliente com nome e resultado.

E o Google, como fica?

O Google não pune um conteúdo só porque ele foi feito com ajuda de IA. Em sua documentação oficial, a empresa diz que a IA pode ser usada para pesquisar e organizar conteúdo original. O problema é usar IA para gerar muitas páginas sem acrescentar valor ao usuário: isso pode ser enquadrado como abuso de conteúdo em escala, uma das práticas de spam.

Ao mesmo tempo, as diretrizes de qualidade do Google valorizam o E-E-A-T (experiência, especialidade, autoridade e confiabilidade). O primeiro "E", de experiência, é justamente o que a IA não tem: ter usado o produto, atendido o cliente, resolvido o problema na prática.

As IAs também preferem conteúdo humano

Tem um detalhe curioso: as próprias inteligências artificiais tendem a citar mais conteúdo feito por pessoas. Dados reunidos pela Sprout Social indicam que 82% dos artigos citados pelo ChatGPT e pelo Perplexity foram escritos por humanos.

Para quem trabalha GEO (Generative Engine Optimization), o recado é claro: para ser fonte das respostas de IA, não basta repetir o que já existe. É preciso trazer informação própria, que a IA não encontra em outro lugar.

O que isso significa para a sua marca

A IA continua sendo uma ótima ferramenta para pesquisar, organizar ideias, revisar e ganhar tempo. O erro é deixar que ela substitua a voz e a experiência da sua empresa. Na prática:

  • Conte casos reais: clientes atendidos, problemas resolvidos, números de verdade.
  • Mostre pessoas e bastidores: fotos e vídeos próprios no lugar de banco de imagens ou imagens geradas.
  • Dê opinião e posicionamento. Conteúdo neutro e genérico é exatamente o que a IA já produz de graça.
  • Assine o conteúdo: deixe claro quem escreveu e por que essa pessoa entende do assunto.
  • Use a IA como assistente, não como autora, e sempre revise o que ela entregar.
  • Prefira menos conteúdo e mais relevante a muitas páginas parecidas entre si.

Fontes